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Victor Lopes - 16/08/2026

Em 1986, a Nintendo colocou nas mãos dos jogadores uma heroína que, naquele momento, ainda era praticamente um mistério. Samus Aran atravessava um planeta hostil, enfrentava criaturas alienígenas e explorava corredores aparentemente intermináveis enquanto o jogador tentava descobrir o que havia além da próxima porta.
Quarenta anos depois, essa fórmula continua reconhecível.
Mais do que uma franquia de ação, Metroid construiu uma identidade baseada na exploração, no isolamento e na sensação de descoberta. É uma série que raramente precisa dizer ao jogador exatamente para onde ir. Ela prefere apresentar um mundo cheio de caminhos, obstáculos e segredos e deixar que a curiosidade faça o resto.
E talvez seja justamente por isso que Metroid tenha envelhecido tão bem.
O primeiro Metroid chegou ao Japão em agosto de 1986 para o Family Computer Disk System. Posteriormente, o jogo apareceu no NES em outros mercados, ajudando a estabelecer as bases da série que conhecemos atualmente.
A proposta era diferente de muitos jogos de ação da época.
Em vez de simplesmente avançar por fases lineares, o jogador precisava aprender o ambiente, encontrar melhorias para Samus e retornar a lugares anteriormente visitados. Uma passagem que parecia impossível no início poderia se tornar acessível depois de conseguir uma nova habilidade.
Esse conceito se tornou uma das maiores marcas da franquia.
O mundo de Metroid não é apenas um cenário. Ele funciona como um grande quebra-cabeça.
Parte do charme de Metroid está em sua protagonista.
Samus não precisou de longos diálogos para se tornar uma das personagens mais reconhecidas da Nintendo. Durante boa parte da história da franquia, sua personalidade foi construída principalmente através de suas ações, de seu equipamento e da maneira como ela interage com os ambientes que explora.
A Nintendo descreve Samus como uma caçadora de recompensas que enfrenta sozinha ameaças espalhadas pela galáxia.
Essa solidão é importante.
Enquanto outros heróis frequentemente estão cercados por aliados, Samus muitas vezes entra em planetas desconhecidos praticamente sozinha. O jogador sente essa distância através dos corredores vazios, dos sons ambientes e da arquitetura dos mundos.
É uma aventura espacial, mas também existe uma sensação quase claustrofóbica.
Hoje, o termo "Metroidvania" é utilizado para descrever inúmeros jogos.
A ideia central é familiar: explorar um mapa interligado, encontrar habilidades que permitem acessar novas áreas e retornar a locais antigos para descobrir caminhos anteriormente bloqueados.
Metroid não inventou absolutamente todos esses conceitos isoladamente, mas ajudou a estabelecer uma linguagem que posteriormente seria utilizada por inúmeros desenvolvedores.
É difícil imaginar o cenário moderno dos jogos independentes sem a influência dessa estrutura.
De Hollow Knight a Ori, passando por inúmeras outras produções, a ideia de exploração baseada em habilidades continua extremamente popular.
Se o primeiro jogo estabeleceu as bases, Super Metroid, lançado para Super Nintendo em 1994, mostrou até onde aquela ideia poderia chegar. A própria Nintendo reconhece Super Metroid como o terceiro jogo da série.
O grande mérito de Super Metroid está na maneira como seu mundo parece conectado.
Portas, elevadores, corredores, atalhos e áreas secretas fazem o planeta parecer um lugar real, e não simplesmente uma sequência de fases.
O jogador aprende a interpretar o cenário.
Uma parede aparentemente comum pode esconder uma passagem. Uma área inacessível pode estar esperando uma habilidade que ainda não foi encontrada. Um caminho antigo pode ganhar um novo significado horas depois.
É uma filosofia de design que continua funcionando.
A franquia não ficou presa ao formato 2D.
Com Metroid Prime, a série encontrou uma nova maneira de traduzir sua fórmula para uma perspectiva em primeira pessoa. Em vez de abandonar a exploração, a mudança de câmera transformou a maneira como o jogador observava o mundo.
O planeta passou a ser investigado através do visor de Samus.
Objetos, criaturas e ambientes podiam fornecer informações, e a exploração ganhou uma dimensão ainda mais investigativa.
Essa capacidade de mudar sem perder sua identidade é uma das maiores forças da franquia.
Uma curiosidade que continua interessante mesmo depois de décadas é que "Metroid" não é o nome da protagonista.
Os Metroids são criaturas alienígenas que possuem a capacidade de absorver energia de outros organismos. A própria Nintendo explica que esses seres são fundamentais para a mitologia da série e que o nome "Metroid" vem de uma palavra de origem Chozo associada à ideia de "guerreiro definitivo".
Isso ajuda a entender por que a franquia nunca foi simplesmente sobre derrotar inimigos.
Existe uma história maior envolvendo Samus, os Metroids, os Chozo, os Piratas Espaciais e diferentes ameaças biológicas e tecnológicas.
Celebrar 40 anos de Metroid é olhar para uma franquia que passou por várias gerações de consoles sem abandonar sua principal característica: a descoberta.
O jogador começa pequeno diante de um mundo enorme.
Depois encontra uma habilidade.
Volta para um lugar antigo.
Descobre uma passagem.
Encontra outro segredo.
E percebe que aquele lugar que parecia impossível de compreender começa, pouco a pouco, a fazer sentido.
Essa sensação continua sendo a alma de Metroid.
Em 2026, quatro décadas depois de Samus aparecer pela primeira vez, a série ainda representa uma ideia extremamente simples e poderosa: deixar o jogador curioso o suficiente para abrir a próxima porta.
Talvez seja esse o maior legado de Metroid.
A série não precisa correr o tempo inteiro. Não precisa transformar cada minuto em uma explosão. Ela entende que existe valor em parar, observar e perguntar:
"E se eu tentar ir por ali?"
Foi essa pergunta que guiou jogadores em 1986.
E é a mesma pergunta que continua guiando novos exploradores quatro décadas depois.
Metroid completa 40 anos não apenas como uma franquia histórica da Nintendo, mas como uma das grandes referências do design de exploração nos videogames.
E, depois de quatro décadas, ainda existe uma porta fechada.
E provavelmente é justamente por isso que queremos abri-la.
Nota do Meus Irmãos: 10/10
Um legado que não depende apenas da nostalgia. Metroid continua relevante porque sua principal mecânica nunca envelheceu: a vontade de descobrir o que existe do outro lado.
